Work



Welcome to Mariana's virtual reception room. Please sit on that fluffy yellow chair right there and feel comfortable to grab a beer.

This is the Work side. To see the Fun side, go dark mode. I know, right? How fun can be fun when work is already fun? (smiles at her boss)












Itaú



Renault






Brastemp Whirlpool



Nivea





Todos pela Saúde



iFood


Diário de S. Paulo



FCB






Fun



Hey, look who's here. I think we already met before, didn’t we? Maybe it was at that party where everybody had the same idea of wearing horses’ costumes, so you put a bottle of beer on your head and called yourself a unicorn.

Oh, or maybe it was when your grandpa ate all your space cakes and started speaking in flippapoula, ignoring the fact that this language doesn’t even exist.

Well, or maybe we didn't meet before, but we can create some better stories than those for a movie, a series, a book, a novel, a game, or even for advertising.

So call me, send me an email or like me back on Tinder. Just kidding — about the advertising part. After all, this is the Fun side. It doesn't mean that you will laugh here, but this is how I feel by creating it.



 — Writing

Eu não faço a menor ideia sobre o que estou escrevendo.

Este é um texto sobre nada.
E, ao mesmo tempo, sobre tudo.
Porque é sobre saber demais.
E não saber de nada.
Saber demais nos dá muitas certezas.
Não saber de nada só nos dá uma: a de que a gente não sabe de nada.
Sabe, eu até me sinto confortável com esse desconforto.
Afinal, é não saber de nada que faz a gente querer saber alguma coisa.
Buscar, descobrir, saber.
Sobre tudo.
Ou sobre vários nadas.
Nada como saber que a gente não sabe nada.
Senão, como que a gente vai saber mais?
Outro dia um sabichão me disse que eu não sei de nada.
Bem, pelo menos disso eu já sabia.
Mal sabe ele que também não sabe.
Talvez nunca saiba.
Afinal, quem sabe de tudo, não sabe de mais nada.
Quando eu comecei esse texto, não sabia como ele ia acabar.
Acho que até agora não sei.
Se você leu até aqui, desculpa.
Este é um texto sem final.



Writing

A.I.

Esses dias li a respeito de uma inteligência artificial com capacidade de amar o próximo, de se importar e de se emocionar.

Foi aí que percebi que chegamos no momento da história onde é o humano que substitui a máquina.
Eu vejo as pessoas perdendo a capacidade básica de tratar umas às outras com educação apenas por medo de não serem tratadas da mesma forma. “Gentileza gera gentileza” virou produto. Todo mundo compra, mas ninguém se importa de verdade. Perdemos a gentileza genuína.

Nascemos cercados de muros pré-construídos com tijolos de egoísmo, inveja e crueldade. Crescemos ouvindo que “bonzinho só se fode”. Que antes o outro do que nós. O conselho para não confiar em estranhos se torna regra. Nós tomamos a doçura, a leveza, a generosidade e o afeto, prontos para serem substituídos pelo combo drogas lícitas e ilícitas, amizades de interesses e relações sexuais ébrias, tudo para anular os resquícios que tiverem sobrado da criança interior. Você não quer parecer imaturo, né?
Ser sensível se tornou ofensa.

Chorar em filme? Coisa de menininha.
Parar de confiar nas pessoas é deixar de ser ingênuo.
Resiliência é a arma branca do exército adulto.
“Que criancice.”
“Não seja infantil.”
“Vê se cresce.”
Então você finalmente larga a mão da criança e joga o jogo dos adultos.
A armadura não é de super herói.
A máscara não te dá super poderes.
Pelo contrário: você os perde.
Lá se vai sua capacidade de amar o próximo, de se importar, de se emocionar.
Tarde demais.
Você cresceu.
Você se tornou máquina.




Writing

Armadilhas

Da primeira vez que caí em uma armadilha foi em um sorriso. Parecia pequeno, de canto. Monalisa. Achei que era rasinho. Foi aí que ele se abriu em uma gargalhada, seus dentes refletiram na luz e não enxerguei mais nada. Perdi o equilíbrio e caí feito o hífen de paraquedas depois da nova ortografia. Mas voltei à superfície.

Na segunda vez, achei que já estava preparada. E nem percebi quando olhei direto naqueles olhos escuros. Eram de um tom de noite quente, daquelas de interior, quando o céu não tem nenhuma nuvem e as estrelas saem de férias. Tarde demais para desviar. Eram tão profundos que parecia que não tinham fim. Mas tinham. Depois de uma longa queda, caí em mim.

Bom, na terceira armadilha eu já conhecia todos os truques. Quando vi aquelas mãos pequenas, não me deixei levar. O problema foi quando senti seu toque. Elas me convidaram para um passeio que parecia breve. Porém, me perdi entre seus dedos. O caminho de volta não tinha GPS. Mas consegui voltar.

Na última vez, não teve erro. Eu já sabia. Quando vi seu sorriso, seus olhos e suas mãos, eu já estava treinada. Nem hesitei. Eu já conhecia o caminho. Não caí: me joguei. Dessa vez pra não voltar nunca mais.



Writing

O nosso amor é um queijo suíço.

Daqueles bem cheios de buracos. Imperfeito. Afinal, quanto mais queijo, mais buracos. Quanto mais buracos, menos queijo. Logo, quanto mais queijo, menos queijo.

O nosso amor é igualzinho a esse queijo.

Quanto mais eu te amo, mais eu sinto a sua falta. Quanto mais eu sinto a sua falta, mais eu te amo. Logo, quanto mais falta, mais amor. Quanto mais amor, mais falta.

E quanto menos você, mais você. De tanto sentir sua falta, vou te amando mais. E vou preenchendo o meu vazio de você.

Eu queria dividir minha falta com você. Cada pedaço dela. Mas fiquei com ela todinha pra mim. Vai ver é por isso que eu te amo tanto. E vai ver é por isso que você não sente a minha falta.

Da próxima vez, espero encontrar um amor que não me falte. Quem sabe um parmesão.



Writing

Esquecimento

Da primeira vez que você dormiu aqui em casa, esqueceu um brinco. Achei engraçado. Falei tanta coisa pra ele durante o filme que a gente viu naquele dia. Ele compartilhou tudo caladinho. E naquela hora ele continuava ali, quieto.

Na semana seguinte, você esqueceu uma marca de batom. Essa sim dizia tanta coisa. Me falava dos seus beijos. Da sua boca quente encostando na minha. Dos seus sussurros. E dos seus segredos. Ela falava muito, aquela marca.

Anos depois, você esqueceu a Luiza aqui. Ela era bem quietinha, monossilábica. Que nem o brinco que você deixou da primeira vez.

Diferente do Pedro, que você esqueceu dois anos depois. Ele queria saber o porquê de tudo. Falava pelos cotovelos. Parecia até aquela marca de batom.
Pensando bem, tudo o que você deixava, sempre voltava pra pegar.

Aquele brinco. O batom. A Luiza. E o Pedro.
Mas a última coisa que você esqueceu, você nunca mais voltou para buscar.

Você deixou saudade.
E tá aqui até hoje.



Poetry



amor te prende.
a morte livra.




Writing

O capital é o deus da capital.

São Paulo é uma prisão voluntária alimentada por pessoas cheias dos outros e vazias de si mesmas.

O dia a dia é um caos entediante.
Lotações vazias: não há uma só alma.
Apenas máquinas ensinadas a pensar, falar e agir.
O tempo é curto para sentir.

A cidade é tão grande que sufoca.
Falta espaço pra quem ainda é humano.
Se você pensa que a cidade te acolheu, é porque ela já te engoliu.

O que se vê é uma cegueira mecânica que olha, mas não enxerga.
Tem tato, mas não se toca.
Sinto muito, mas São Paulo não é para quem sente.

O Brasil com mais diferenças é o mais indiferente.



Writing

Tem troco pra eu te amo?

Baulmann que me perdoe. Mas as relações não são líquidas. Relações são um transporte público.

Você entra em um vagão e alguém senta ao seu lado. Por mais que outras pessoas dividam o vagão com você, a pessoa sentada ao seu lado é a mesma. Você pode até estar próxima a outras pessoas do mesmo vagão. Ter segurado a bolsa de alguém. Trocado um com licença. Ou um olhar. Mas a pessoa ao seu lado é uma só. E vai ser ela até algum de vocês chegar na estação de destino. Que pode ser a próxima, umas três adiante ou talvez até em outra linha.

Nem sempre a gente coincide com a estação de quem a gente quer. Tem horas que a gente perde o ponto e quer voltar atrás, mas nunca mais reencontra o mesmo passageiro. A verdade é que às vezes é preciso abrir mão do seu lugar para alguém.

Amor é quando o seu destino combina com o destino da outra pessoa. E não adianta você tentar adaptar o seu destino para acompanhá-la até o dela. Uma hora vocês vão precisar se separar.

E quando isso acontecer, pode ser que o vagão fique vazio e ninguém sente ao seu lado. Ou quem sabe na próxima estação alguém sente próximo a você. E continue até o terminal.



Dialogue

Armário quebrado.

- Pai, preciso que você me entenda.
- Meu filho, eu não entendo nem a sua mãe.
- É uma coisa delicada.
- Ah, mas ali de delicada não tem nada. Tem que ver o jeito que ela fala com o zelador. Pobre seu Jarbas.
- É exatamente sobre ele que eu quero falar.
- Seu Jarbas? Ele terminou de consertar o armário?
- Na verdade ele me ajudou a sair de lá.
- Você ficou preso no armário? Isso só pode ser coisa da tua mãe.
- De coisa dela, só o vestido, os sapatos, as joias…
- Seu Jarbas andou roubando as coisas da sua mãe??
- A única coisa que ele roubou foi o meu coração.
- Nair! Um médico!



New stuff coming soon.






S. Paulo — SP
MARIANA A. CARVALHO™
WRITER®