Fun



Hey, look who's here. I think we already met before, didn’t we?
Maybe it was at that party where everybody had the same idea
of wearing horses’ costumes, so you put a bottle of beer on your
head and called yourself a unicorn.

Oh, or maybe it was when your grandpa ate all your space cakes
and started speaking in flippapoula, ignoring the fact that this
language doesn’t even exist.

Well, or maybe we didn't meet before, but we can create some
better stories than those for a movie, a series, a book, a novel,
a game, or even for advertising.

So call me, send me an email or like me back on Tinder. Just
kidding — about the advertising part. After all, this is the Fun side.
It doesn't mean that you will laugh here, but this is how I feel by
creating it.



Making Making

Bozo Bop Bag
Say no to violence.
Whoever thinks differently will be kicked.



Idea
We created a bop bag that plays Jair Bolsonaro's hate
speech.And then we shut him up the way as he himself
defends: with violence.

How we did it
We painted Bolsonaro's face on a bop bag. Then we put
the most absurd Bolsonaro's phrases together, connected
it with arduino wires in play-doh and glued it behind his
head. Every time we kicked him off, the play-doh touched
the ground and stopped playing Bolsonaro's hate speech.




Tribute

"F/N"

F/Nazca Saatchi & Saatchi transcends the concept
of an agency to become a concept.

Scenario
When F/Nazca Saatchi & Saatchi announced it's end,
we took the opportunity to pay a tribute to the agency.

F/N

Credits rises.
Of who made it happen.
Of change-makers.
Of crafters in essence.

The show comes to an end.
The agency that opened our eyes,
Now close it's curtains.
Bis requests are denied.
The tireless one now rests.

The end.
Season finale.
Epilogue.

Just like that.
No articulated commas.
No laboured ellipses.

Only a period.
Round and simple.
A circle that ends on itself.

The agency of greatness,
Ends.
Ends?
F/Nazca is not a place.
It's a concept.
Brillance is it's address.

Found in a good idea.
Located in creative minds.
Where curiosity lives.
The comfort zone of the uncomfortable.
Far away from the banal.

In the finish of the obvious, F is just the
Beginning.



Writing

English soon.

Eu não faço a menor ideia
sobre o que estou escrevendo.


Este é um texto sobre nada.
E, ao mesmo tempo, sobre tudo.
Porque é sobre saber demais.
E não saber de nada.
Saber demais nos dá muitas certezas.
Não saber de nada só nos dá uma:
a de que a gente não sabe de nada.
Sabe, eu até me sinto confortável
com esse desconforto.
Afinal, é não saber de nada que faz
a gente querer saber alguma coisa.
Buscar, descobrir, saber.
Sobre tudo.
Ou sobre vários nadas.
Nada como saber que a gente não sabe nada.
Senão, como que a gente vai saber mais?
Outro dia um sabichão me disse
que eu não sei de nada.
Bem, pelo menos disso eu já sabia.
Mal sabe ele que também não sabe.
Talvez nunca saiba.
Afinal, quem sabe de tudo,
não sabe de mais nada.
Quando eu comecei esse texto,
não sabia como ele ia acabar.
Acho que até agora não sei.
Se você leu até aqui, desculpa.
Este é um texto sem final.



Shit Filming

Amores Plásticos

Se o amor que não é feito para durar é líquido, o amor de Márcia
é plástico: impermeável, passível de toxicidades e facilmente
maleável por meio de calor e pressão.

Apesar de sua aparência ocidental, Márcia tem origem chinesa
(é o que diz na etiqueta), país que deixou para ir em busca de
seu sonho: ser vendida em uma sex shop de qualidade duvidosa
no centro de São Paulo.

Nossa história começa em uma sexta à noite. Depois da proeza
de ser a primeira pessoa a zerar o Tinder sem conseguir nenhum
match, Everton se vê obrigado a ir até a sex shop 24h mais barata
da cidade. É aqui onde os destinos de Márcia e Everton se
cruzam (não só os destinos rsrs).

Márcia mostrará que pode ser resistente e repleta de polímeros
por fora, mas também possui um grande vazio por dentro.
Afinal, ela não procura apenas por sexo, mas por alguém
que possa preencher outro buraco seu: o do coração.






Writing

A.I.

Esses dias li a respeito de uma inteligência artificial
com capacidade de amar o próximo, de se importar
e de se emocionar.

Foi aí que percebi que chegamos no momento da história
onde é o humano que substitui a máquina.
Eu vejo as pessoas perdendo a capacidade básica
de tratar umas às outras com educação apenas
por medo de não serem tratadas da mesma forma.
“Gentileza gera gentileza” virou produto.
Todo mundo compra, mas ninguém se importa de verdade.
Perdemos a gentileza genuína.

Nascemos cercados de muros pré-construídos
com tijolos de egoísmo, inveja e crueldade.
Crescemos ouvindo que “bonzinho só se fode”.
Que antes o outro do que nós.
O conselho para não confiar em estranhos se torna regra.
Nós tomamos a doçura, a leveza, a generosidade e o afeto,
prontos para serem substituídos pelo combo drogas lícitas
e ilícitas, amizades de interesses e relações sexuais ébrias,
tudo para anular os resquícios que tiverem sobrado
da criança interior.
Você não quer parecer imaturo, né?
Ser sensível se tornou ofensa.

Chorar em filme? Coisa de menininha.
Parar de confiar nas pessoas é deixar de ser ingênuo.
Resiliência é a arma branca do exército adulto.
“Que criancice.”
“Não seja infantil.”
“Vê se cresce.”
Então você finalmente larga a mão
da criança e joga o jogo dos adultos.
A armadura não é de super herói.
A máscara não te dá super poderes.
Pelo contrário: você os perde.
Lá se vai sua capacidade de amar o próximo,
de se importar, de se emocionar.
Tarde demais.
Você cresceu.
Você se tornou máquina.



Writing

Armadilhas

Da primeira vez que caí em uma armadilha foi em um sorriso.
Parecia pequeno, de canto. Monalisa. Achei que era rasinho.
Foi aí que ele se abriu em uma gargalhada, seus dentes
refletiram na luz e não enxerguei mais nada. Perdi o equilíbrio
e caí feito o hífen de paraquedas depois da nova ortografia.
Mas voltei à superfície.

Na segunda vez, achei que já estava preparada. E nem percebi
quando olhei direto naqueles olhos escuros. Eram de um tom
de noite quente, daquelas de interior, quando o céu não tem
nenhuma nuvem e as estrelas saem de férias. Tarde demais
para desviar. Eram tão profundos que parecia que não tinham
fim. Mas tinham. Depois de uma longa queda, caí em mim.

Bom, na terceira armadilha eu já conhecia todos os truques.
Quando vi aquelas mãos pequenas, não me deixei levar.
O problema foi quando senti seu toque. Elas me convidaram
para um passeio que parecia breve. Porém, me perdi entre
seus dedos. O caminho de volta não tinha GPS. Mas
consegui voltar.

Na última vez, não teve erro. Eu já sabia. Quando vi seu
sorriso, seus olhos e suas mãos, eu já estava treinada.
Nem hesitei. Eu já conhecia o caminho. Não caí: me joguei.
Dessa vez pra não voltar nunca mais.



Writing

O nosso amor é um queijo suíço.

Daqueles bem cheios de buracos. Imperfeito.
Afinal, quanto mais queijo, mais buracos.
Quanto mais buracos, menos queijo.
Logo, quanto mais queijo, menos queijo.

O nosso amor é igualzinho a esse queijo.

Quanto mais eu te amo, mais eu sinto a sua falta.
Quanto mais eu sinto a sua falta, mais eu te amo.
Logo, quanto mais falta, mais amor.
Quanto mais amor, mais falta.

E quanto menos você, mais você.
De tanto sentir sua falta, vou te amando mais.
E vou preenchendo o meu vazio de você.

Eu queria dividir minha falta com você.
Cada pedaço dela.
Mas fiquei com ela todinha pra mim.
Vai ver é por isso que eu te amo tanto.
E vai ver é por isso que você não sente a minha falta.

Da próxima vez, espero encontrar um amor que não me falte.
Quem sabe um parmesão.



Writing

Esquecimento

Da primeira vez que você dormiu aqui em casa, esqueceu um brinco.
Achei engraçado.
Falei tanta coisa pra ele durante o filme que a gente viu naquele dia.
Ele compartilhou tudo caladinho.
E continuava ali, quieto.

Na semana seguinte, você esqueceu uma marca de batom.
Essa sim dizia tanta coisa. Me falava dos seus beijos.
Da sua boca encostando na minha. Dos seus sussurros.
E dos seus segredos. Ela falava muito, aquela marca.

Anos depois, você esqueceu a Luiza aqui.
Ela era bem quietinha, monossilábica.
Que nem o brinco que você deixou da primeira vez.

Diferente do Pedro, que você esqueceu dois anos depois.
Ele queria saber o porquê de tudo. Falava pelos cotovelos.
Parecia até aquela marca de batom.
Pensando bem, tudo o que você deixava, sempre voltava pra pegar.

Aquele brinco. O batom. A Luiza. E o Pedro.
Mas a última coisa que você esqueceu,
você nunca mais voltou para buscar.

Você deixou saudade.
E tá aqui até hoje.



Poetry

A morte do amor.

amor te prende.
a morte livra.




Writing

O capital é o deus da capital.

São Paulo é uma prisão voluntária
alimentada por pessoas cheias dos
outros e vazias de si mesmas.

O dia a dia é um caos entediante.
Lotações vazias: não há uma só alma.
Apenas máquinas ensinadas a pensar,
falar e agir. O tempo é curto para sentir.

A cidade é tão grande que sufoca.
Falta espaço pra quem ainda é humano.
Se você pensa que a cidade te acolheu,
é porque ela já te engoliu.

O que se vê é uma cegueira
que olha, mas não enxerga.
Tem tato, mas não se toca.
Sinto muito, mas São Paulo
não é para quem sente.

O Brasil com mais diferenças
é o mais indiferente.



Writing

Tem troco pra eu te amo?

Baulmann que me perdoe. Mas as relações não são líquidas.
Relações são um transporte público.

Você entra em um vagão e alguém senta ao seu lado. Por
mais que outras pessoas dividam o vagão com você, a pessoa
sentada ao seu lado é a mesma. Você pode até estar próxima
a outras pessoas do mesmo vagão. Ter segurado a bolsa de
alguém. Trocado um com licença. Ou um olhar. Mas a pessoa
ao seu lado é uma só. E vai ser ela até algum de vocês chegar
na estação de destino. Que pode ser a próxima, umas três
adiante ou talvez até em outra linha.

Nem sempre a gente coincide com a estação de quem a gente
quer. Tem horas que a gente perde o ponto e quer voltar atrás,
mas nunca mais reencontra o mesmo passageiro. A verdade
é que às vezes é preciso abrir mão do seu lugar para alguém.

Amor é quando o seu destino combina com o destino da outra
pessoa. E não adianta você tentar adaptar o seu destino para
acompanhá-la até o dela. Uma hora vocês vão precisar se
separar.

E quando isso acontecer, pode ser que o vagão fique vazio e
ninguém sente ao seu lado. Ou quem sabe na próxima estação
alguém sente próximo a você. E continue até o terminal.



Dialogue

Confissão.

- Pai, preciso que você me entenda.
- Meu filho, eu não entendo nem a sua mãe.
- É uma coisa delicada.
- Ah, mas ali de delicada não tem nada. Te que ver
o jeito que ela fala com o zelador. Pobre seu Jarbas.
- É exatamente sobre ele que eu quero falar.
- Seu Jarbas? Ele terminou de consertar o armário?
- Na verdade ele me ajudou a sair de lá.
- Você ficou preso no armário? Isso só pode ser coisa
da tua mãe.
- De coisa dela, só o vestido, os sapatos, as joias…
- Seu Jarbas andou roubando as coisas da sua mãe??
- A única coisa que ele roubou foi o meu coração.
- Nair! Um médico!



New stuff coming soon.